Manoela Alcântara

Documentos têm assinaturas de Jair Bolsonaro, Carlos e Jair Renan. Eduardo Bolsonaro não consta entre as autorizações apresentadas

Pablo Giovanni, Manoela Alcântara

23/10/2026 13:34

DANILO M. YOSHIOKA/ESPECIAL METRÓPOLES @danilomartinsyoshioka
O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) entregou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizações assinadas para a abertura dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e dos irmãos Carlos e Jair Renan Bolsonaro.
Os documentos foram apresentados nessa quinta-feira (22/10), em manifestação encaminhada ao ministro André Mendonça.
Flávio também apresentou autorizações para a abertura dos próprios sigilos, dos da mãe, Rogéria Bolsonaro, e dos de empresas das quais é sócio ou representante legal. O outro irmão, Eduardo Bolsonaro, atualmente nos Estados Unidos, não foi incluído na documentação.
Entre os documentos entregues ao TSE está uma autorização assinada à mão pelo ex-presidente para a abertura de seus sigilos.
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Flávio também cobrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgue os gastos com o cartão corporativo da Presidência da República e os registros de visitas recebidas no gabinete presidencial.
“Os gastos do cartão corporativo da Presidência da República são pagos com dinheiro do contribuinte, e auditoria do Tribunal de Contas da União apontou que 99,55% deles foram classificados como sigilosos ou reservados entre janeiro de 2023 e abril de 2025”, afirmam os advogados de Flávio.
A defesa prossegue: “Ante o exposto, e apenas para honrar o acordado na manhã de hoje, Flávio postula a juntada das autorizações em anexo, cujos efeitos são limitados a este processo e a esta jurisdição eleitoral, mas, em respeito à decisão já proferida nestes autos, inverte o desafio, sai da esfera de debate sobre informações sigilosas e pede: Lula, abra o cartão corporativo.”
O pedido ainda não foi analisado por Mendonça.
Sigilos
Ao decidir inicialmente sobre o caso, Mendonça afirmou que tanto Flávio quanto Lula podem abrir seus sigilos sem autorização do TSE.
Segundo o ministro, os sigilos bancário, fiscal e telefônico existem para proteger os próprios titulares, que podem abrir mão dessa proteção quando quiserem.
Mendonça destacou que a legislação permite a divulgação de informações sigilosas mediante consentimento expresso dos interessados.
Na decisão, o magistrado explicou que os extratos bancários podem ser obtidos diretamente nas instituições financeiras, enquanto as declarações de Imposto de Renda estão disponíveis no portal da Receita Federal. Os registros de chamadas telefônicas, por sua vez, podem ser solicitados às operadoras.
Mendonça ressaltou, porém, que cabe aos próprios candidatos decidir o que, quando e como divulgar. Segundo ele, não compete à Justiça Eleitoral determinar quais informações cada um deve tornar públicas. A avaliação sobre essas escolhas, acrescentou, cabe aos eleitores.


