O ataque na Escola Estadual Berilo Wanderley foi um tiroteio escolar ocorrido no dia 17 de dezembro de 2024, na cidade de Natal, Rio Grande do Norte. Uma estudante de 19 anos tentou atingir funcionários e alunos da escola, ferindo um aluno na cabeça, antes de ser contida por um segundo aluno da escola.
Ataque Na manhã de 17 de dezembro de 2024, por volta das 8h, a estudante armada de 19 anos, Lyedja Yasmin Silva Santos, entrou na Escola Estadual Berilo Wanderley, localizada em Natal, Rio Grande do Norte. Yasmin entrou em uma sala de aula e mirou em todos que estavam dentro. Yasmin disparou um tiro dentro da instituição contra uma professora, mas um estudante de 18 anos, que a tentou proteger e se colocou na frente, foi atingido na cabeça. Durante o ataque, Yasmin ainda tentou atingir uma coordenadora da escola e disparar mais tiros, mas a arma de fogo falhou. Uma estudante que estava na escola e presenciou o ataque comentou à imprensa: "A gente estava na sala prestes a fazer a prova e ela chamou as amigas dela para conversar com ela. Passou um curto tempo de um minuto e a gente só escutou o disparo. A gente não sabia ao certo se era um disparo, a gente pensou que era uma bomba. Ela entrou na sala armada, apontou na cabeça da professora, só que a arma falhou." Após o tiro, Yasmin tentou escapar, mas um estudante de 19 anos, identificado como "Madson", conseguiu imobilizar Yasmin até a chegada das autoridades. Durante a imobilização, Madson afirmou em entrevista que entrou em luta corporal com a atiradora e a puxou para fora da sala de aula.
Vítimas Uma vítima foi baleada no ataque; o estudante de 18 anos, Heitor Dantas, foi levado ao Hospital Walfredo Gurgel, onde passou por observação. Marcelo Moura, pai do estudante atingido, relatou que Dantas sentia um zumbido no ouvido e não falava direito. O hospital revelou que Dantas possui um quadro de saúde estável e ficará cerca de 72 horas em observação hospitalar. O disparo que atingiu Dantas acertou de raspão a sua cabeça, não se alojando. Em uma tomografia, o orifício do estudante não foi danificado pelo tiro. Além do estudante, a atiradora ainda tentou atingir uma professora e uma coordenadora, mas a arma falhou e ambas as vítimas não sofreram ferimentos.
Perpetradora Após o ataque, a atiradora foi presa e, mais tarde, identificada como Lyedja Yasmin Silva Santos, uma estudante do terceiro ano do ensino médio da escola, com 19 anos na época do ataque. Yasmin tinha um comportamento calmo e sem registros de violência na escola ou passagens pelas autoridades, mas havia a suspeita de que Yasmin consumia drogas. Maracelle Azevedo, diretora da escola atacada, revelou que Yasmin nunca teve problemas na escola e era muito "ausente", já que seus familiares não iam à escola para conversar sobre sua disciplina. Após sua prisão, Yasmin afirmou que conseguiu o revólver calibre 38 usado no ataque por conta própria, sem que sua família soubesse. Além da arma de fogo, Yasmim estava com três facas e um bilhete dentro de sua mochila. No bilhete, Yasmin escreveu que queria "encontrar a paz", sugerindo que ela ia cometer suicídio no ataque. Em investigações, Yasmin iria disparar tiros contra alvos escolhidos, mas, durante o ataque, o único disparo foi aleatório. Depois, Yasmin revelou às autoridades, após ser detida, que tinha intenção de matar cerca de 10 pessoas.
Consequências Após a prisão, Yasmin foi detida e acusada de tentativa de homicídio qualificado ao se apresentar na Central de Flagrantes da Comarca de Natal e ser interrogada. As aulas na Escola Estadual Berilo Wanderley foram suspensas apenas no dia 18 pela diretora da instituição. Alunos e professores da escola foram dispensados após o ataque. As autoridades começaram uma investigação pra verificar se Yasmin fazia parte de algum grupo extremista. Além disso, também se iniciou uma investigação sobre o ataque e o que motivou Yasmin a cometer o ataque. Em janeiro de 2025, a Justiça do Rio Grande do Norte aceitou a denúncia do Ministério Público e classificou Yasmin como ré. O juiz Ivanaldo Bezerra Ferreira dos Santos tomou a decisão no dia 14 e Yasmin pode pegar entre 6 a 20 anos de prisão. A defesa alegou insanidade mental, mas Bezerra não aceitou.
Reações A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, do Partido dos Trabalhadores, escreveu nas suas redes sociais: "Não existe lugar para a violência nas nossas escolas. A segurança de toda a comunidade escolar está e estará sempre em primeiro lugar. Corrijo imensamente com a família do estudante atingido e deixo claro que estamos fazendo de tudo para solucionar esta questão." O ministro da educação, Camilo Santana, se manifestou ao ataque: "O ambiente escolar é um espaço sagrado de aprendizado e crescimento. Não iremos tolerar a invasão deste lugar tão essencial para nossa sociedade. Eu seguirei, junto à SEEC, acompanhando de perto a situação de todas as nossas escolas”, comentou Santana. A Secretaria da Educação emitiu uma nota após o ataque: "A secretaria reforça que a segurança dos estudantes, professores e funcionários é prioridade e que acompanha de perto os desdobramentos deste caso. Expressamos nossa solidariedade à família do estudante atingido e à comunidade escolar. Reiteramos nosso compromisso em colaborar para que as medidas cabíveis sejam tomada".
Ver também Massacre de Heliópolis - Outro tiroteio escolar ocorrido no mesmo ano, em Heliópolis, Bahia Lista de ataques e invasões escolares no Brasil
Referências