Jacira de Jesus Santos (Salvador, junho de 1951 - Salvador, 4 de dezembro de 2020), mais conhecida como Cira do Acarajé, é uma baiana de acarajé e quituteira brasileira. Com reconhecimento nacional, o “Acarajé da Cira” foi premiado 16 vezes como o melhor acarajé de Salvador. Foi a primeira baiana de acarajé a receber um efígie em sua homenagem. O monumento está localizado na Praça Oxum Baeté (ou Oxum do Abaeté), no bairro de Itapuã, em Salvador.

Biografia Jacira de Jesus Santos, ou Cira do Acarajé, começou a trabalhar no tabuleiro de acarajé aos 12 anos de idade, quando sua avó, a baiana de acarajé Odete Braz de Jesus faleceu aos 42 anos. Cira se tornou a responsável por cuidar e sustentar seus três irmãos. Cira iniciou, então, seu trabalho como baiana de acarajé cuidando de seu tabuleiro sozinha, ainda quando criança. O tabuleiro do Acarajé da Cira, localizado na Rua Aristides Milton, em frente à Ladeira do Abaeté, no bairro de Itapuã, foi inaugurado em 1967. Aos 17 anos teve seu primeiro filho. O ofício de baiana do acarajé foi a base econômica de sua família composta por cinco filhos biológicos, além de seus outros seis filhos adotivos. Em 1999 a baiana de acarajé abriu mais uma unidade no Rio Vermelho, localizado no Largo da Mariquita. O uso da mesma marca “Acarajé da Cira” na matriz e filiais foi considerada uma inovação no ramo dos tabuleiros de acarajé, que já tinha por prática a inauguração de mais de um ponto comercial por uma baiana de acarajé e sua família, porém, com diferentes nomes. A baiana do acarajé faleceu no dia 4 de dezembro de 2020, aos 69 anos, em decorrência de problemas renais. Cira era avó de oito netos. Sua filha, Juçara de Jesus Santos é responsável pelo legado, sendo a terceira geração de baianas de acarajé de uma família comandada por mulheres. Cira e sua família integram uma importante rede de mulheres que com seu trabalho asseguram a preservação e proteção do ofício das baianas do acarajé e a tradição culinária do acarajé, ambos considerados patrimônio cultural imaterial.

Prêmios e homenagens O “Acarajé da Cira” recebeu por 16 vezes o prêmio de melhor acarajé de Salvador, segundo o júri da Veja Comer & Beber. Em 2019 foi a décima sexta vez que recebeu o reconhecimento. Em 2018 recebeu o Prêmio Melhor Comida de Rua, concedido pela Revista Prazeres da Mesa, uma das maiores premiações da gastronomia brasileira. A premiação foi realizada no dia 18 de junho, no Memorial da América Latina em São Paulo. Em 2020, André Fernandes homenageou Cira com uma estátua de três metros e meio localizada no bairro do Rio Vermelho e que confeccionou a partir da reciclagem de 5 mil garrafas plásticas, coletadas nas ações do Projeto Praia Limpa, idealizado pelo artista em 2014. A construção da obra durou três anos e Cira não chegou a ver por estar em internação hospitalar. Após sua morte, em 29 de agosto de 2025 foi reconhecido como melhor acarajé de Salvador pelo “Prêmio Melhores da Gastronomia: Salvador”. A baiana recebeu a primeira efígie dedicada à uma baiana do acarajé. O monumento, inaugurado na Praça Oxum Baeté, no bairro de Itapuã, em Salvador, em 4 de dezembro de 2025, ao lado de seu tabuleiro. A celebração da memória de Cira, após cinco anos de seu falecimento, contou com a presença de familiares, de autoridades e com a apresentação musical do grupo Ganhadeiras de Itapuã, do bloco afro Malê Debalê e do projeto infantojuvenil Malezinho. Além do reconhecimento de Cira, o monumento reforça a relevância das baianas de acarajé e de sua atuação nos territórios onde atuam. A homenagem foi promovida pela Fundação Gregório de Matos (FGM) e sua efígie é assinada pela artista Conceição Dias.

Ver também Alaíde do Feijão Associação Nacional das Baianas de Acarajé, Mingau, Receptivo e Similares Culinária da Bahia Cultura afro-brasileira Cultura de Salvador Dinha do Acarajé

Referências