O Refúgio Estadual de Vida Silvestre do Rio Pandeiros (Refúgio Pandeiros) é uma unidade de conservação de proteção integral situada no município de Januária, no estado de Minas Gerais, Brasil.

Legislação O refúgio foi criado através do Decreto Estadual no 43.910, de 5 de novembro de 2004, e está situado dentro da Área de Proteção Ambiental Bacia do Rio Pandeiros. Sua existência tem por objetivo "proteger e conservar a ictiofauna da bacia hidrográfica do rio São Francisco" e da "área alagável e lagoas marginais" do rio Pandeiros.

Características O Refúgio Pandeiros tem a maior parte da sua área no bioma cerrado (40%), apresentando também floresta estacional semidecidual (31,74%) e floresta estacional decidual (28,26%).

Recursos hídricos Uma das principais expressões do valor natural e ambiental do refúgio, é a presença do "Pantanal Mineiro" ou Pântano de Pandeiros, em seu interior. As áreas alagadas funcionam como um berçário natural, para a reprodução de cerca de 70% dos peixes do rio São Francisco. Além disso, há três cachoeiras próximas à sede administrativa da unidade de conservação.

Visitação Por se tratar de uma área de conservação estrita ainda sem plano de manejo, por ora a visitação ao refúgio só é permitida em caso de atividade científica ou educacional previamente agendada. Contudo, são permitidas atividades recreativas próximas à administração da unidade.

Geografia O refúgio protege parte do curso do rio Pandeiros, afluente da margem esquerda do rio São Francisco, no norte de Minas Gerais. O rio Pandeiros nasce e deságua no próprio município de Januária, percorrendo um eixo longitudinal de cerca de 97 km até a confluência com o São Francisco. A unidade integra a Área de Proteção Ambiental Bacia do Rio Pandeiros, que abrange toda a bacia do rio e se estende também pelos municípios de Bonito de Minas e Cônego Marinho. O substrato geológico da bacia é dominado por arenitos do Grupo Urucuia, que sustentam as chapadas da região.

Clima A bacia do rio Pandeiros situa-se em área de transição entre o clima tropical subúmido e o semiárido, com temperatura média anual em torno de 24 °C. A precipitação média anual fica próxima de 1.057 mm, fortemente concentrada entre outubro e março — período que responde por cerca de 91% das chuvas —, enquanto os meses de abril a setembro são marcadamente secos.

Biodiversidade A vegetação ao longo do rio Pandeiros reflete a transição entre os biomas cerrado e caatinga, reunindo mata ciliar, florestas estacionais secas, cerrado e veredas. As veredas, formações úmidas marcadas pela presença de buritis, contribuem para a manutenção da vazão dos cursos d'água e funcionam como refúgio para a fauna durante a estação seca. Essa variedade de ambientes faz da área um dos trechos de maior diversidade ecológica do norte mineiro.

Conservação e ameaças As cabeceiras do rio Pandeiros apresentam intensos processos erosivos, com voçorocas que carreiam areia para a calha do rio. Esse assoreamento compromete as áreas alagáveis e o "pantanal mineiro" no interior do refúgio, sendo apontado como uma das principais ameaças à conservação da unidade e à manutenção de seus serviços ambientais. A gestão como unidade de proteção integral busca conciliar a recuperação ambiental da bacia com a conservação da ictiofauna do rio São Francisco. Estudos hidrogeomorfológicos relacionam esses processos à assimetria da bacia e à distribuição desigual da energia entre as encostas, fatores naturais agravados pelo uso do solo.

Referências

Ligações externas «Unidade de Conservação Estadual - Refúgio Estadual de Vida Silvestre Rio Pandeiros». Governo de Minas. Consultado em 22 de maio de 2026