1705 foi um ano comum do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado pela posse de um novo governador da capitania do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais — Fernando Martins Mascarenhas de Lencastre —, que encontraria pela frente uma situação de crescente tensão nas regiões auríferas. A capitania do Estado do Brasil também conheceu mudança de governador-geral, com a posse de Luís César de Meneses em Salvador. No plano eclesiástico, os franciscanos e os jesuítas disputavam com crescente intensidade a evangelização das populações indígenas do interior, em particular nas regiões de contato entre as minas e os sertões nordestinos.
Eventos
Nova administração colonial Em 1705, tomou posse em Salvador como novo governador-geral do Estado do Brasil Luís César de Meneses, o conde de Ericeira, substituindo Rodrigo da Costa. A Ericeira coube administrar a colônia durante um dos períodos de maior efervescência de toda a história colonial: a aceleração da corrida aurífera, a escalada das tensões entre paulistas e emboabas e as crescentes pressões por mais igrejas, escolas e estrutura eclesiástica nas regiões mineradoras. No mesmo ano, Fernando Martins Mascarenhas de Lencastre assumiu o governo da capitania do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, em substituição a Álvaro da Silveira e Albuquerque. Lencastre tinha vasta experiência colonial — havia governado anteriormente o Estado da Índia e a capitania de Pernambuco — e encontrou nas minas uma situação que exigia habilidade diplomática: dois grupos hostis (paulistas e emboabas) disputavam o controle das lavras e das rotas de abastecimento, e a ausência de tribunais e de uma estrutura judiciária regular tornava os conflitos frequentemente fatais.
Os franciscanos e a evangelização do interior Em 1705, a Custódia de Santo Antônio do Brasil, ramo da Ordem dos Frades Menores presente no Brasil desde o século XVI, mantinha uma rede de conventos e hospícios nas principais cidades costeiras do Brasil, além de missões nos sertões da Bahia, Pernambuco e Paraíba. Os franciscanos foram os primeiros religiosos a estabelecer presença regular na região das minas, antes mesmo da criação de paróquias oficiais, ministrando sacramentos nos arraiais auríferos de Minas Gerais. Nesse período, as irmandades do Santíssimo Sacramento e de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos continuavam a se multiplicar nos arraiais mineradores, cumprindo funções de assistência mútua que o Estado colonial era incapaz de prover. Constituíam, na prática, os primeiros sistemas de previdência social da história mineira: contribuições mensais dos irmãos garantiam auxílio em casos de doença, prisão, viuvez ou morte, e custeavam o enterramento digno dos membros e de seus familiares.
Conflito por contratos de abastecimento Em 1705, o governador Lencastre envolveu-se em acusações de favorecimento na cessação de contratos para o fornecimento de víveres às minas — episódio que prenunciava disputas mais graves que culminariam na Guerra dos Emboabas. A questão dos contratos de abastecimento — que incluíam carne bovina, farinha, rapadura e ferramentas — era fonte permanente de corrupção e de conflito entre os grupos que competiam pelas minas.
Quadro político
Ver também Guerra dos Emboabas Brasil colonial 1704 no Brasil
Referências