Stefanie Rabatsch (née Isak, Niemes, 26 de dezembro de 1887 – 22 de dezembro de 1975) foi uma mulher austríaca que, supostamente, teria sido um amor não correspondido de Adolf Hitler ainda na adolescência — alegação feita por August Kubizek, amigo de infância de Hitler. Seu sobrenome de solteira, Isak, de sonoridade judaica, foi alvo de especulações nesse contexto. No entanto, não há evidências, além do relato de Kubizek, de que Hitler tenha tido tal envolvimento. Kubizek, amigo de infância e posteriormente biógrafo das experiências juvenis de Hitler, escreveu sobre Stefanie em seu livro Adolf Hitler, Mein Jugendfreund ("Adolf Hitler, Meu Amigo de Infância"). Ele alega que Hitler se apaixonou por ela depois que ela passou por ele durante seu passeio diário com a mãe em Linz, lançando-lhe um olhar. No relato de Kubizek, embora apaixonado por ela a ponto de quase cometer suicídio, Hitler nunca trocou uma palavra com Stefanie, que mais tarde se casou com um oficial do exército austríaco. Stefanie declarou em entrevistas que não sabia dos sentimentos de Hitler por ela. Foi sepultada em 9 de janeiro de 1976 em Kalksburg, Viena. Essa relação unilateral foi discutida em muitos livros. Alguns questionam a precisão das memórias de Kubizek — a única fonte da história. Outros aceitam que há algum fundamento factual, mas minimizam a importância da paixão juvenil, enquanto há ainda aqueles que consideram que o episódio oferece uma visão valiosa sobre o desenvolvimento da personalidade de Hitler.
Contexto August Kubizek, um estudante de música de Linz, conheceu Hitler quando os dois disputavam um lugar para ficar em pé durante uma apresentação de ópera. Segundo ele, a paixão de Hitler por Stefanie começou na primavera de 1905, quando ele tinha 16 anos e estudava em Linz, e ela 17; e durou até 1909, quando ele tinha 20 anos. Kubizek descreve a primeira vez que ouviu falar da obsessão de Hitler da seguinte forma: "Certa noite, na primavera de 1905, durante nosso passeio habitual, Adolf agarrou meu braço e me perguntou, animado, o que eu achava daquela garota loira e esbelta que caminhava pela Landstrasse de braço dado com a mãe. 'É preciso que você saiba: estou apaixonado por ela', acrescentou ele, resoluto." Stefanie Maria Beata Isak nasceu em 26 de dezembro de 1887 em Niemes, Reino da Boêmia. Ela vinha de uma família de classe social mais alta do que a de Hitler e era mais de um ano mais velha que ele. Stefanie havia retornado a Linz após uma formação profissional em Munique e Genebra. Ela tinha um irmão, Karl Richard Isak, que estudava Direito em Viena. Na década de 1950, o Dr. Franz Jetzinger possuía duas fotos de Stefanie em sua juventude: uma de 1904 e outra com vestido de baile de 1907. Kubizek a descreve como "uma garota de aparência distinta, alta e magra. Tinha cabelos grossos e loiros, que geralmente usava presos num coque. Seus olhos eram muito bonitos".
Suposta interação com Hitler Segundo Kubizek, Hitler nunca falou com Stefanie, sempre dizendo que o faria "amanhã". Kubizek escreveu que Hitler detestava aqueles que flertavam com ela, especialmente os oficiais militares, a quem chamava de "cabeças-duras presunçosos"; ele passou a nutrir uma "inimizade implacável em relação à classe dos oficiais como um todo, e a tudo que era militar em geral. Incomodava-o que Stefanie andasse com esses vadios que, segundo ele, usavam espartilhos e perfume".
Hitler insistia que Kubizek seguisse Stefanie e entregasse relatórios diários sobre as atividades dela enquanto ele estava fora, visitando sua mãe ou sua família. Em um desses relatórios, Kubizek escreveu que Stefanie adorava dançar e havia feito aulas de dança. Hitler não gostava de dançar e, segundo consta, respondeu: "Stefanie só dança porque é forçada pela sociedade, da qual infelizmente ela depende. Quando Stefanie for minha esposa, não terá a menor vontade de dançar!" Em junho de 1906, Stefanie supostamente deu um sorriso e uma flor de seu buquê a Hitler, ao passar com sua carruagem perto dele. Kubizek mais tarde descreveu a cena:"Nunca mais vi Adolf tão feliz quanto naquele momento. Quando a carruagem passou, ele me puxou para o lado e, com emoção, contemplou a flor, aquela prova visível do amor dela. Ainda consigo ouvir sua voz, trêmula de excitação: 'Ela me ama!' "Após a morte da mãe de Hitler, Klara, em 1907, vítima de câncer de mama, o cortejo fúnebre passou por Urfahr a caminho de Leonding. Kubizek comenta que Hitler disse ter visto Stefanie no cortejo, o que lhe trouxe algum consolo. Kubizek afirma que "Stefanie não fazia ideia de como Adolf estava profundamente apaixonado por ela; ela o considerava um admirador um tanto tímido, mas notavelmente persistente e fiel. Quando ela respondia com um sorriso ao olhar indagador dele, ele ficava feliz e seu humor se tornava algo que nunca tinha observado nele. Mas quando Stefanie, como acontecia com igual frequência, ignorava friamente seu olhar, ele ficava arrasado e pronto para destruir a si mesmo e o mundo inteiro." Kubizek afirma que Hitler finalmente declarou que planejava sequestrar Stefanie e matá-la, junto consigo mesmo, pulando de uma ponte no Danúbio. Em vez disso, ele se mudou para Viena, onde, segundo Kubizek, uma imagem idealizada de Stefanie se tornou seu referencial moral. Stefanie declarou em entrevistas posteriores que não sabia da existência de Hitler na época, mas que havia recebido uma carta de amor anônima pedindo que ela esperasse por ele até que ele se formasse para então se casarem; e que ela só percebeu, depois de ser questionada sobre ele, que a carta só poderia ter vindo de Hitler. Ela recordou: "Uma vez recebi uma carta de alguém que dizia que iria frequentar a Academia de Artes, e que eu deveria esperar por ele; que ele poderia voltar e se casar comigo! Eu não fazia ideia de quem poderia ser a carta, nem para quem deveria tê-la enviado." No Natal de 1913, quando morava em Munique, Hitler supostamente colocou um anúncio pessoal anônimo no jornal de Linz com seus melhores votos a ela, mas ela já estava casada e morando em Viena naquela época.
Anos posteriores
Pouco se sabe sobre a vida de Stefanie como um todo. Ela ficou noiva em 1908 de um oficial do regimento de Hesse estacionado em Linz. Em 24 de outubro de 1910, Stefanie casou-se com Maximilian Rabatsch (*1872 em Viena) em Viena, na Igreja de Santa Gertrudes, Gertrudplatz 5, na paróquia de Währing. Maximilian foi nomeado capitão em 1o de novembro de 1909. Foi promovido a major em 1o de outubro de 1917 e a coronel em 1o de agosto de 1918. Segundo Kubizek, o marido dela tornou-se um oficial de alta patente; ela ficou viúva em 15 de julho de 1942 e, após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939–1945), morou em Viena. Stefanie foi entrevistada, e o suposto amor de Hitler por ela foi dramatizado em um filme teuto-austríaco para a televisão de 1973 chamado Um Jovem do Innviertel. Ela não conseguia entender por que Hitler, se sentia algo tão forte, não lhe dera nenhum sinal de seu interesse, dizendo: "Hitler dificilmente teria sofrido de timidez excessiva".
Sobrenome de solteira O sobrenome de solteira de Stefanie, Isak, tem sonoridade judaica, embora ela não fosse judia. Kubizek o grafou como Isaak. A grafia correta foi identificada pelo historiador alemão Anton Joachimsthaler em sua obra de 2003 Hitlers Liste: Ein Dokument persönlicher Beziehungen (Munique, 2003, pp. 46–52). Alguns historiadores opinam que Hitler teria presumido que Stefanie era de origem judaica. O historiador americano Graeme Donald acredita que Hitler teria deduzido que ela era judia, mas não via problemas nisso na época. Essa visão é apoiada por Joachimsthaler, que afirmou em uma entrevista à BBC que Hitler certamente deve ter presumido que ela era judia por causa de seu sobrenome de sonoridade judaica.
Reações acadêmicas O papel de Rabatsch na vida de Hitler tem sido amplamente estudado. Sherree Owens Zalampas, em um livro que analisa a relação entre as visões de Hitler sobre arte e sua psicologia, observa que as histórias sobre Rabatsch foram rejeitadas por alguns estudiosos e aceitas por outros. Entre aqueles que rejeitam as histórias sobre Rabatsch estão Franz Jetzinger e Bradley F. Smith. Bradley F. Smith discutiu a história em seu Adolf Hitler; his family, childhood, and youth (1967). Franz Jetzinger abordou a história em seu Hitler's Youth (1958). Jetzinger atacou Kubizek em seu livro, mas confirmou que Stefanie existiu, embora ela não soubesse, na época, do suposto interesse amoroso de Hitler. Na análise de Jetzinger, Kubizek exagera a relação entre Rabatsch e Hitler, e algumas das interações que Kubizek descreve são impossíveis considerando as linhas do tempo de suas vidas; além disso, o foco dos biógrafos nessa relação representa uma tentativa equivocada de fabricar um precoce "interesse amoroso" para Hitler. Werner Maser concorda com essa visão em seu Adolf Hitler: Legende, Mythos, Wirklichkeit (1971) e sugere que o comportamento de Hitler em relação a Rabatsch era típico dos adolescentes austríacos de sua época. Zalampas observa que Kubizek afirma que Hitler se interessava pela voz de canto de Rabatsch — que, segundo Kubizek, era um soprano — e por sua adequação para interpretar papéis wagnerianos. Ela sugere que Hitler tinha uma visão fantasiosa de Stefanie, o que indica a mistura, no jovem Hitler, entre realidade e fantasia, bem como suas visões sobre arte, guerra, os romances de Karl May e os temas wagnerianos. Robert G. L. Waite, em seu The Psychopathic God: Adolf Hitler (1993), escreve que Rabatsch "serviu como uma defesa contra sentimentos de inadequação sexual". Ele sugere que Hitler temia interagir pessoalmente com Rabatsch, pois a realidade dela poderia ficar aquém do ideal de virtude germânica que Hitler havia fantasiado que ela representava. Ele repete a crença de Kubizek de que Hitler deixou Linz porque não suportava permanecer no mesmo lugar que Rabatsch. A história de Kubizek foi abordada por vários outros escritores. William L. Shirer baseou-se no relato de Kubizek sobre o romance unilateral em seu The Rise and Fall of the Third Reich (1960). Em 1973, Der Spiegel noticiou que as emissoras alemã e austríaca ZDF e ORF haviam produzido um docudrama para a TV sobre a juventude de Hitler que retratava a história de sua paixão por Stefanie Rabatsch. Brigitte Hamann baseia-se na história em seu Hitler's Vienna: A Portrait of the Tyrant as a Young Man (2010). Rose Montero baseia-se no relato de Kubizek em seu Dictadoras: Las mujeres de los hombres más despiadados de la historia (2013). Danielle Zumbo cita Kubizek em seu Operazione Stalingrado: Storia di un eroe (2013). Hugh Trevor-Roper considerou as memórias de Kubizek como um exame valioso da juventude de Hitler e afirmou: "... terá um lugar importante entre os livros-fontes da história." Ian Kershaw relata a história em seu Hitler: A Biography (2008). Kershaw achava que Kubizek havia sido ajudado por um ghostwriter na criação de seu livro. Ele considera a história de Stefanie exagerada, escrevendo: "Pouca dúvida resta de que Kubizek embeleza enormemente o que foi, no máximo, uma paixão juvenil passageira." No entanto, Kershaw conclui que, embora o livro de Kubizek tenha pontos fracos, também tem valor intrínseco como retrato do jovem Hitler. Frederic Spotts, em seu Hitler and the Power of Aesthetics (2009), observa que nenhuma documentação ou fonte além do livro de Kubizek fornece qualquer comprovação para a suposta paixão.
Ver também Sexualidade de Adolf Hitler
Notas e referências
Notas
Referências
Bibliografia

