Treinar pouco, mas treinar certo: o fim da desculpa da falta de tempo

Você não precisa ficar um tempão na academia para fazer um treino eficiente. Crédito: Jefferson Perleberg (Edição)

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

Gerando resumo

Seis em cada dez brasileiros não fazem os 150 minutos semanais de atividade física recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e 35% se exercitam menos de 30 minutos por semana.

PUBLICIDADE

Os dados integram o Relatório de Preservação do Movimento 2026, produzido pela Asics a partir de entrevistas com 34 mil pessoas de 31 países. A pesquisa foi conduzida em julho e considerou três faixas de atividade física semanal: 150 minutos ou mais, entre 30 e 149 minutos e menos de 30 minutos.

Entre os brasileiros de 18 a 24 anos, 36,8% afirmaram fazer menos de 30 minutos de atividade física por semana, e 96% relataram ao menos um efeito negativo associado à falta de movimentação, como piora do humor, aumento do estresse ou sono de menor qualidade.
Indicado é se exercitar, ao menos, 150 minutos por semana Foto: DimaBerlin/Adobe Stock Images
Aproximadamente 80% dos brasileiros entrevistados entendem que a vida moderna tornou fácil passar um dia inteiro praticamente sem se mexer e cerca de 53% afirmaram que conseguiriam ficar três dias ou mais sem sair de casa. Esse índice chega a 60% entre os jovens de 18 a 24 anos.
Publicidade
Entre todas as faixas etárias, os brasileiros estimam passar 88% do tempo em que estão acordados praticamente sem se mexer, o que equivale a cerca de 14 das 16 horas diárias de vigília.
Globalmente, apenas 47% da população atinge o nível recomendado pela OMS. Os países com os piores índices foram Japão, Alemanha e Tailândia, respectivamente.
Mundo tornou o movimento opcional
Segundo a pesquisa, os serviços digitais, como plataformas de compra online e delivery de comida, estão entre as principais causas da redução da movimentação. Cerca de 41% dos brasileiros realizam regularmente tarefas e compras online em vez de fazê-las presencialmente, enquanto 61% costumam socializar por telefone ou vídeo no lugar de encontros presenciais.
“Construímos um mundo que torna o movimento opcional. Conseguimos trabalhar, fazer compras, socializar e nos entreter sem realmente nos mover – e, embora isso seja conveniente, nosso corpo e nossa mente ainda dependem de movimento regular para se manterem saudáveis”, cita David Raichlen, professor de Antropologia na University of Southern California e um dos autores do estudo, em comunicado à imprensa.
Publicidade
“Os achados são um lembrete de que o movimento não é um extra; ele é fundamental para como sentimos, pensamos e funcionamos. O lado animador é que não é preciso muito para mudar: pequenos momentos de atividade, fáceis de alcançar, podem fazer uma diferença real, e o desafio é simplesmente trazê-los de volta para o mundo em que vivemos hoje”, adiciona.
Leia Mais
- Minutos hoje, anos no futuro: pequenas mudanças na rotina podem aumentar a longevidade
- Não estar doente é diferente de ser saudável — mas brasileiro parece misturar conceitos
- As melhores táticas para você convencer seu pai idoso a se exercitar, segundo especialistas
Riscos
O relatório destaca que a inatividade física pode gerar uma série de impactos para a saúde, que variam de efeitos fisiológicos a emocionais.
Sem a movimentação regular, o coração e os vasos sanguíneos perdem eficiência e elasticidade. A falta de atividade também prejudica o controle da inflamação, a função vascular e a sensibilidade à insulina. Ossos e músculos, por sua vez, perdem força e sustentação sem estímulos mecânicos frequentes.
A saúde mental também é impactada. A pesquisa usou uma métrica de estado mental para quantificar o bem-estar dos participantes em uma escala de 10 a 100 pontos. Entre as pessoas que afirmam se movimentar menos de 30 minutos, a pontuação média é de 60, contra 71 entre as ativas.
Publicidade
Quatro em cada cinco pessoas (81%), além disso, relataram sintomas mentais da falta de movimento. Os mais citados foram letargia, piora do humor, redução da motivação, aumento do estresse e piora na qualidade do sono.


