Presidente fez discurso em tom de campanha, ressaltando medidas do governo e condenando 'tarifaço' e investidas de Trump

22 set 2026 - 10h54

(atualizado às 12h33)

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- Por: Vanessa Ortiz

Lula envia ‘recado’ a Trump durante discurso na ONU: 'O Brasil não cabe no quintal de ninguém':

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu seu discurso na 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta terça-feira, 22, fazendo duras críticas ao Conselho de Segurança da instituição, e afirmou que o Brasil "não cabe no quintal de ninguém", um claro recado ao presidente dos Estado Unidos Donald Trump. A fala do mandatário, que pode ser a última caso perca a corrida do pleito, teve um tom de campanha eleitoral.

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"Na América Larina e Caribe, a proximidade com a maior potência militar do mundo é inescapável, sobretudo num contexto de recrudescimento de tentações hegemônicas. O Brasil não cabe no quintal de ninguém, precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para integração entre vizinhos", declarou.

O presidente ressaltou que a "democracia está novamente em xeque", e que o mundo voltou a presenciar "ingerência externa em processos eleitorais", a divisão do mundo em zonas de influências e "investidas neocoloniais por recursos extratégicos', para conseguir recursos estratégicos.

Lula discursa na ONU

Foto: Reprodução/YouTube/Nações Unidas

Em seguida, ele citou a Venezuela, que no início do ano foi invadida pelos Estado Unidos eteve Nicolás Maduro preso. Lula defendeu que o país vizinho merece escolher o próprio destino. Lula também usou como exemplo a Nicarágua, que excluiu opositores da eleição, e Cuba, que sobre há décadas com o bloqueio econômico feito pelos EUA.

Crime organizado e corrupção

O presidente também voltou seu discurso para medidas que seu governo tem tomado para combater o crime organizado e a corrupção, como a operação Carbono Oculto, realizada em 2025, e a Lei Antifacção. Lula também pontuou que o Brasil não vai “terceirizar a responsabilidade de defender as fronteiras” e nem a de dar à população o direito de viver sem medo, um recado direcionado ao governo norte-americano.

“Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastecem o crime. Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao Presidente dos Estados Unidos. Queremos combater a lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior”, afirmou.

Criticou Conselho de Segurança
No começo de seu discurso, Lula afirmou que a ONU está falhando em “livrar a humanidade do flagelo da guerra”. A credibilidade da instituição, segundo o presidente, nunca esteve tão baixa, assim como a capacidade de proteger países mais vulneráveis, que não têm exército ou nem arsenais.
O mandatário ainda criticou o empenho do Conselho de Segurança em lidar com a crise de lideranças, ressaltando que, em 2025, registrou-se o maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial.
“Trilhões de dólares financiam uma nova corrida armamentista. Tensões geopolíticas ameaçam transformar confrontos regionais em uma conflagração de proporções globais. Os que detêm as rédeas das decisões cruciais devem atuar com responsabilidade e sentido de urgência. Os líderes dos países que integram o Conselho de Segurança precisam se reunir", declarou.
"Não desconheço as realidades do poder. Mas as concessões à lei do mais forte já passaram dos limites. Isso não é idealismo. É o mais puro realismo. A guerra não é a continuação da política por outros meios. É a falência total da política. Num mundo interdependente, liderar é conciliar os interesses da pátria com os da humanidade. Essa é a constatação de alguém que representa uma nação amante da paz e da liberdade", seguiu.
Defendeu multilateralismo
Lula ainda disse que os “pilares do multilateralismo estão sendo corroídos”, mencionando tarifas impostas como “armas de coerção e chantagem”, mais um claro recado aos EUA, pelo tarifaço que ocorre desde meados de 2025.
Segundo o presidente, a ONU reconheceu o tráfico de africanos escravizados como o mais grave crime contra a humanidade, mas que agora deve se debruçar sobre temas “determinantes” para o futuro da humanidade, como multilateralismo ou unilateralismo; democracia ou extremismo; e soberania ou subordinação.
“Essas escolhas demandam coragem, vontade política e clareza de objetivos. Isso é o que se espera de um Estadista", disse.
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Negacionismo e meio ambiente
Mais uma vez, Lula usou seu discurso na Assembleia para criticar o negacionismo com relação à ciência, mencionando a pandemia da Covid-19, e às mudanças climáticas. O presidente brasileiro criticou a questão da emissão de carbono desaparecer dos debates do G7 e do G20, e afirmou que é hora retomar a “ofensiva”.
“As geleiras do Himalaia estão derretendo. Um Super El Niño pode provocar chuvas torrenciais, secas e incêndios florestais em diferentes partes do globo. Seus efeitos golpearão sobretudo os mais vulneráveis”, declarou.
Ainda em clima de campanha, o chefe de Estado brasileiro destacou que o Brasil “conquistou” a autossuficiência em petróleo e continuará pesquisando o potencial de novas reservas, como as da Margem Equatorial, além de buscar reduzir o desmatamento. “Não renunciaremos à agenda ambiental. Levaremos adiante o Mapa do Caminho para a descarbonização da economia brasileira”, disse.
A questão das terras raras também entrou na conta. Lula declarou que as riquezas naturais do Brasil “pertencem ao povo brasileiro” e que “é em benefício dele que serão exploradas”, defendendo que o acesso terá como contrapartida obrigatória a geração de valor no território nacional, como transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais.
Defendeu PIX e regulamentação de Big Techs e da Inteligência Artificial
Ao citar a revolução tecnológica que vivemos atualmente, Lula falou sobre os riscos e oportunidades, defendendo a regulamentação das Big Techs e da Inteligência Artificial. “Um punhado de tecno-oligarcas quer ressuscitar uma versão de neoliberalismo digital, sem regras nem transparência. Estão promovendo uma corrida sem freios éticos”, declarou citando o Papa Leão 14.
Nesse balaio, o mandatário criticou as BETs e defender o PIX. “Não vamos ceder às pressões de multinacionais que querem privatizar o nosso PIX, uma infraestrutura de pagamentos pública e gratuita que fez da inclusão financeira uma realidade para milhões de brasileiros”.
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Escala 6x1 e desigualdade
Durante seu discurso, o presidente brasileiro abordou ainda a desigualdade, pedindo por mais investimento em saúde e educação gratuítas. Mais uma vez, em clima de campanha, Lula afirmou que o País adotou “um modelo econômico que se assenta na distribuição de renda, na geração de empregos e na valorização do salário”.Ele alegou ainda que o Brasil voltou a crescer de “modo sustentado”, “apesar do tarifaço".
Em seguida, o petista também falou sobre o fim da escala 6 por 1, um dos principais pontos de sua campanha. “O trabalhador precisa de tempo para descansar, se qualificar e conviver com a família. No Brasil, concretizar esse objetivo passa pelo fim da chamada escala 6x1 para garantir ao trabalhador 2 dias livres por semana. Essa mudança é fundamental para aliviar a sobrecarga doméstica que ainda recai sobre as mulheres”.
Lula fala sobre fim da escala 6x1 e ‘recorde de exportações apesar do tarifaço’ na ONU:
Fonte: Portal Terra
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