O Tribunal de Apelações do Estado do Arizona (EUA) determinou a anulação da sentença aplicada a Gabriel Horcasitas, condenado pela morte de Christopher Pelkey em um caso de violência no trânsito.A anulação aconteceu por causa da utilização de um vídeo, gerado por inteligência artificial e exibido durante a audiência de sentenciamento, que o tribunal considerou ter resultado em um processo “fundamentalmente injusto”.A decisão representa um marco no debate jurídico sobre o uso de tecnologias de inteligência artificial nos tribunais norte-americanos e criou um debate sobre os limites éticos e legais da utilização de recriações digitais de pessoas falecidas em processos judiciais.Gabriel Horcasitas, de 54 anos, foi considerado culpado por matar Christopher Pelkey, de 37 anos, durante uma briga de trânsito ocorrida em 2021. De acordo com os autos do processo, Pelkey saiu de sua caminhonete e, ao se aproximar do veículo de Horcasitas, foi baleado fatalmente.Condenado por homicídio culposo, Horcasitas pegou dez anos e meio de prisão, mas seus advogados recorreram, alegando irregularidades na audiência em que a pena foi fixada.O principal ponto do recurso envolveu a exibição de um vídeo produzido com inteligência artificial que recriava a aparência e a voz de Christopher Pelkey. A gravação foi apresentada pela família da vítima como uma espécie de declaração de impacto da vítima, instrumento comum no sistema judicial americano para expressar os efeitos de um crime sobre familiares e pessoas próximas.Logo no início da gravação, a versão digital de Pelkey informa ser uma recriação produzida com inteligência artificial e afirma querer apresentar sua própria mensagem ao tribunal.Durante o vídeo, a representação virtual dirigiu-se diretamente ao condenado e disse: “É uma pena que tenhamos nos encontrado naquele dia, naquelas circunstâncias. Em outra vida, provavelmente poderíamos ter sido amigos”, afirmou a recriação digital da vítima.O personagem gerado por IA também falou sobre suas crenças espirituais, destacando a importância do perdão, ao mesmo tempo em que lamentava não ter a oportunidade de envelhecer em razão do homicídio.O responsável pela audiência de sentença, o juiz Todd Lang, elogiou o material exibido pela família e declarou que, apesar da dor e da indignação da família, a mensagem transmitia um sentimento genuíno de perdão.A gravação foi desenvolvida a partir da imagem e da voz de Pelkey. A irmã da vítima, Stacey Wales, revelou ter escrito o roteiro do vídeo porque queria que seu irmão pudesse “falar” perante o tribunal.Ao analisar o recurso, o Tribunal de Apelações do Arizona concluiu que a utilização do vídeo ultrapassou limites aceitáveis no processo de sentença. Os magistrados reconheceram que vídeos reais da vítima poderiam ter sido apresentados, mas entenderam que a recriação artificial acabou influenciando indevidamente a decisão judicial.Na decisão, a corte afirmou que o uso da tecnologia produziu uma situação “fundamentalmente injusta”, resultou em prejuízo à defesa e, por esse motivo, determinou a anulação da pena e o retorno do caso à primeira instância para uma nova audiência, que determinará nova sentença.Ainda assim, a condenação de Gabriel Horcasitas foi mantida porque a decisão afeta apenas à pena aplicada, mas não muda o veredito que o considerou culpado pela morte de Pelkey.Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp











