Atefeh Rajabi Sahaaleh (persa: عاطفه رجبی سهاله; 21 de setembro de 1987 – 15 de agosto de 2004) foi uma jovem iraniana da cidade de Neka província de Mazandaran, que foi executada uma semana após ser condenada à morte por Haji Rezai, chefe do tribunal de Neka, sob acusações de adultério e crimes contra a castidade após ter sido estuprada repetidamente.
Primeiros anos Sahaaleh nasceu em Neka, e sua família mudou-se para Mashhad logo após seu nascimento. Quando era menina, seus pais se separaram e a sua mãe se casou novamente. A sua mãe morreu num acidente de automóvel quando Sahaaleh tinha cinco anos. Na mesma época, diz-se que seu irmão mais novo afogou-se num rio. Seu pai tornou-se viciado em drogas, e ela foi obrigada a cuidar de seus avós octogenários. Apesar de sua atenção às necessidades deles, relata-se que eles a ignoravam em grande parte. Ela foi descrita como uma "menina mimada e inteligente".
Prisões Sahaaleh foi condenada por fornicação sob o Artigo 221 do Código Penal Iraniano (um crime contra a castidade ou zina quando tinha 13 anos. Após uma busca policial, ela foi encontrada sozinha em um carro com um homem de 51 anos. Ela foi presa e recebeu 100 chicotadas. Enquanto estava na prisão, ela teria sido ainda torturada e estuprada/violada por guardas prisionais. Ela disse à avó que só conseguia andar de quatro por causa da dor. Nos anos seguintes, ela foi presa mais duas vezes por crimes contra a castidade, e ambas as condenações foram punidas com cem chicotadas e prisão. Segundo o Artigo 136 do Código Penal do Irã, uma quarta condenação por um crime hadd para o qual a punição foi executada três vezes anteriormente resulta na pena de morte. Essa quarta condenação começou em maio de 2003, quando Sahaaleh foi presa em casa e acusada de adultério e imoralidade. As autoridades apresentaram um relatório que, segundo eles, apoiava as acusações contra Sahaaleh, mas as únicas assinaturas no relatório eram policiais e outras autoridades locais. O juiz que presidiu o julgamento foi Haji Rezai. Após Rezai interrogar Sahaaleh, ela confessou ter sido estuprada por Ali Darabi, um ex-guarda revolucionário de 51 anos casado quese tornou taxista. Sahaaleh foi estuprada repetidamente por Darabi nos três anos anteriores. Quando Sahaaleh percebeu que estava perdendo o caso, tirou o hijab, um ato considerado um grave desacato ao tribunal, e argumentou que Darabi deveria ser punida, não ela. Ela tirou os sapatos e os lançou sobre o juiz. Rezai condenou Sahaaleh à morte. Seu advogado recorreu à Suprema Corte do Irã(o) em Teerã(o), onde o veredito foi mantido devido à confissão de Sahaaleh e a três condenações anteriores por crimes semelhantes. Segundo a BBC, os documentos apresentados à Suprema Corte de Apelação a descreviam como tendo 22 anos, mas sua certidão de nascimento e de óbito indicavam que ela tinha 16 anos. Uma testemunha afirmou que "o juiz apenas olhou para o corpo [de Sahaaleh], por causa do físico desenvolvido ... e a declarou com 22 anos", e seu pai alega que "nem o juiz nem mesmo o advogado nomeado pelo tribunal de Sahaaleh fizeram nada para descobrir sua verdadeira idade. "Ela era o meu amor. o meu coração... Eu fiz tudo por ela, tudo que pude fazer" disse o pai .
Execução Ela foi enforcada publicamente num guindaste em Neka em 15 de agosto de 2004.No momento em que Sahaleh estava prestes a ser enforcada, ela entregou todo o seu dinheiro e bens a duas meninas sem tutor e voltou-se para o juiz de seu caso dizendo: "Se você me perdoar, nunca olharei nos olhos de um estranho enquanto eu viver." Então ela se virou para a multidão e disse: "Perdoem-me!" (Jornal iraniano, Mazandnume). Ela foi enterrada no Cemitério Neka, em Neka, Irã(o), mas quando sua família foi visitar seu túmulo, ele já havia sido desenterrado e seu corpo removido, e não foi encontrado. O seu túmulo original é seu único memorial. A execução de Sahaaleh é considerada controversa, em parte porque, como signatário do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos, o Irã(o) prometeu não executar ninguém menor de 18 anos. De acordo com um comunicado de imprensa de 2004 emitido pela Amnistia Internacional, Sahaaleh foi o décimo menor que o Irã(o) executou desde 1990. Eles declararam sua execução como um crime contra a humanidade e crime contra as crianças do mundo. Após a execução de Sahaaleh, a mídia iraniana noticiou que o juiz Rezai e vários membros da milícia, incluindo o capitão Zabihi e o capitão Molai, foram presos pela VEVAK. O juiz Razai, que foi o juiz, júri e carrasco, também confessou tê-la torturado durante interrogatórios para fazê-la confessar e revelar os nomes de outros homens com quem teria tido relações sexuais. Ele também confessou que tentou encobrir o que ele e seus cúmplices fizeram com Atefeh, acelerando o processo normal dos processos judiciais e acelerando o veredito de execução. Nenhuma acusação oficial foi apresentada contra o "Juiz" Rezai após sua libertação. Ele continuou atuando como um notório juiz iraniano. Os dois "Policias da Moralidade" que falsificaram o documento alegando que os moradores de Neka queriam que Atefeh fosse presa e removida dos arredores da cidade, também foram presos logo após a execução de Atefeh por comandarem uma rede de prostituição infantil em Neka, Irã, com muitas crianças menores de idade. Em resposta às contínuas denúncias apresentadas pela família de Sahaaleh e à forte pressão internacional sobre sua execução e a forma como o juiz conduziu mal o caso, a Suprema Corte do Irã emitiu uma ordem para concederem perdão póstumo a Sahaaleh.
Documentários A história de Sahaaleh foi tema de um documentário da BBC produzido pela Wild Pictures em 2006. Monica Garnsey e Arash Sahami se infiltraram para documentar o caso. Também foi tema de um programa de uma hora no Investigation Discovery (Estados Unidos) chamado "Execution in Iran"
Ligações externas (em português) BBC mostra como Irã(o) enforcou menina de 16 anos (em inglês)(3of6) A 16 Year Old Iranian Girl Executed by Islamic Police, Filme sobre a execução e Sahaaleh (em inglês)(4of6) A 16 Year Old Iranian Girl Executed by Islamic Police Vídeo sobre a execução de Sahaaleh
Referências

